(VÍDEO) Modelo cívico-militar não é militarização da escola, afirma secretária de Educação
Entrevista
Um dos primeiros fatos a serem compreendidos sobre o programa das escolas cívico-militares é que ele não transforma o local em um colégio militar. A afirmação foi feita pela professora e secretária de Educação da Prefeitura de Brusque, Franciele Mayer, durante o programa Rádio Revista Cidade, na manhã desta quinta-feira (15).
Durante a entrevista, a professora deu mais detalhes sobre como funciona o programa e sobre a escolha dos educandários que acolhem esse projeto. Segundo ela, a atribuição dos agentes inseridos no espaço é de melhorá-lo para os colaboradores, de forma que contribuam para o desenvolvimento dos índices educacionais.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi citado pela secretária como um dos critérios a serem considerados para que a Prefeitura decida se uma escola se tornará cívico-militar. Recentemente, o prefeito André Vechi (PL) realizou uma enquete popular em seu perfil no Instagram para a escolha da nova instituição a ser contemplada com a ideia. A vencedora foi a Escola de Ensino Fundamental Rotary Club Companheiro Ayres Gevaerd, no bairro Volta Grande, com início previsto para o segundo semestre.
Franciele explicou que o processo seletivo filtra o tipo de agente que será designado para a escola, e que o currículo dos candidatos tem peso na decisão final. “Eles estão presentes para manter a ordem, disciplina e fazer observações. Eles também são responsáveis pela parte de desenvolvimento artístico.” Mayer exemplificou: “No processo seletivo, nós pontuamos de forma diferente quem tinha, em seu currículo, formação em música.”
Custos
Até o final da gestão, o prefeito pretende implementar mais quatro escolas nesse formato em Brusque. Contudo, elas geram despesas, e foi sobre isso que a vereadora Bete Eccel (PT) comentou em entrevista à emissora no dia 6 de maio.
Conforme a vereadora, o município gasta R$ 229 mil anualmente por unidade, o que soma R$ 1,1 milhão. Para ela, o governo federal já encerrou o modelo em 2023, fazendo com que ele não conste mais na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Franciele informou que, para custear os valores relacionados ao funcionamento do educandário, é utilizado recurso próprio do município, como o pagamento dos salários dos agentes. “Nosso programa conta com dez agentes cívicos, que recebem um salário-base. Também há um assessor e um chefe. Esses dois são cargos comissionados, então recebem o salário correspondente à posição que ocupam.”
Efetividade
Quanto aos resultados do modelo escolar, Mayer pontuou que, ao longo deste um ano de funcionamento, já foram feitos ajustes, como a implementação de agentes femininas, de modo a acolher ainda mais os alunos no ambiente escolar. Entretanto, existe um detalhe: “Ainda não conseguimos apresentar dados externos, pois essa avaliação acontece de dois em dois anos. Neste ano, ocorre a prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e, em 2026, nós teremos o resultado”, concluiu.